Como Apresentar para Investidor Sem Decorar Slide

5 min de leitura

Slide de abertura do deck Fundación Real Madrid Campus Experience, com o logotipo da Concierge sobre a foto escurecida de um estádio
Slide de abertura do deck Fundación Real Madrid Campus Experience, com o logotipo da Concierge sobre a foto escurecida de um estádio

Faltam dois dias para a reunião. A fundadora abre o deck, passa os olhos pelo slide 3 e começa a repetir o texto em voz alta, palavra por palavra. No slide 8 ela trava, esquece a frase e olha para a tela como quem procura a próxima fala. O investidor percebe na hora, e não é a falta de memória que pesa: é a sensação de que a pessoa decorou uma apresentação que não é dela.

Quem pesquisa como apresentar para investidor sem decorar slide costuma estar exatamente aí. O negócio existe, o deck está pronto ou quase, e o medo é ficar em branco na frente de quem decide.

Resposta direta: você não decora slide, você conhece a história. Quando o deck tem uma ideia por slide e a ordem segue a pergunta de quem escuta, cada slide serve de lembrete da frase seguinte, e o resto sai na sua própria voz. O trabalho de não decorar acontece antes da reunião, no roteiro.

Por que decorar slide dá errado?

Slide cheio de texto convida a ler. Quem lê para de conversar, e a conversa é o que um investidor quer ver: como você pensa, como responde a uma pergunta que não estava no deck, se conhece os próprios números sem consultar a tela.

Decorar tem um segundo problema. A fala memorizada é frágil. Uma interrupção, uma pergunta no meio do slide 5, e você perdeu o fio inteiro. Já quem sabe a ordem da história volta ao ponto onde parou, porque entende por que aquele slide vem antes do próximo.

O que o investidor espera ouvir, e em que ordem

O pitch deck que montamos no ateliê segue a ordem que fundo e banca esperam encontrar: problema, solução, mercado, produto, tração, modelo de negócio, time e pedido. Essa sequência é a sua cola. Cada etapa responde a uma dúvida que a pessoa do outro lado já está formulando:

Etapa A dúvida de quem escuta A frase que você precisa ter pronta
Problema Isso dói em alguém de verdade? Quem sofre, e como sofre hoje
Solução Por que a sua resposta funciona? O que muda para essa pessoa
Mercado É grande o bastante para valer? O tamanho do mercado, com a fonte do dado
Produto Existe de fato? O que já está funcionando
Tração Alguém já comprou ou usou? O número que sustenta o argumento
Modelo de negócio Como isso vira dinheiro? De onde vem a receita
Time Essas pessoas conseguem entregar? Por que vocês, e por que agora
Pedido O que você quer de mim? Quanto, para quê e para chegar onde

Repare que a coluna da direita é uma frase, não um parágrafo. É essa frase, e não o texto do slide, que você precisa saber de cor.

Como treinar a história em vez do texto

Cinco passos que funcionam para qualquer pitch, e que você consegue fazer em uma tarde:

  1. Escreva a decisão que precisa sair da reunião. Uma linha: “quero que o fundo marque uma segunda conversa” ou “quero a primeira rodada fechada”. Todo slide trabalha para essa linha.
  2. Dê uma frase-título a cada slide. Se você não consegue resumir o slide em uma frase, ele tem duas ideias e deveria ser dois slides.
  3. Conte a história sem o deck. Em pé, sem tela, usando só as frases-título. Onde você hesita, o roteiro está fraco, e não a sua memória.
  4. Treine as perguntas difíceis separado. Anote as cinco perguntas que mais te incomodariam e responda em voz alta. Elas vão aparecer fora da ordem do deck, e é aí que a história decorada quebra.
  5. Deixe o detalhe para o material de apoio. Tabela, premissa e número fino ficam na versão enviada por e-mail, não no slide que você projeta.

Como foi no nosso trabalho

O ateliê trabalha dessa forma em todo deck: o roteiro, slide a slide, é aprovado antes do design, e cada slide recebe uma ideia só. O briefing começa por três perguntas: quem vai estar na sala, quanto tempo existe e que decisão deve sair dali. O fim do projeto entrega duas versões, uma enxuta para projetar e outra mais explicada para enviar, além das notas do apresentador e da orientação de como conduzir.

É por isso que a capa deste post é um slide de abertura do deck da Fundación Real Madrid Campus Experience, feito para a Concierge: um deck desse tipo abre com pouquíssimas palavras, e o que a pessoa diz em voz alta carrega o resto. O slide só abre a conversa, e ela continua na fala de quem apresenta.

O que deixar no slide e o que levar na cabeça

Uma regra simples para revisar o seu deck hoje:

  • No slide: a frase-título, um número, uma imagem. Nada que você precise ler para a sala.
  • Nas notas do apresentador: a explicação, a fonte do dado e o exemplo que você conta quando sobra tempo.
  • Na versão enviada: o detalhe que o investidor quer reler com calma depois.
  • Na cabeça: a ordem da história e a frase de cada etapa. Só isso.

Quando o texto do slide é o mesmo texto que você diz, a sala escolhe entre ler e ouvir, e perde uma das duas coisas. Quando o slide diz uma coisa e você acrescenta outra, os dois se reforçam.

Antes da reunião, faça este teste

Feche o computador, abra o celular e grave um áudio contando o pitch inteiro com as frases-título da tabela acima. Ouça. Se o áudio faz sentido sozinho, o roteiro está pronto e o slide só precisa acompanhar. Se faltou um elo, o problema está na ordem das ideias, e vale corrigir o roteiro antes de mexer em qualquer cor.


Se o seu deck ainda precisa de roteiro e design, conheça a nossa criação de apresentações e pitch decks ou peça um orçamento em quatro passos, sem reunião para começar. Para checar o que mais derruba uma apresentação, leia também os erros mais comuns em PowerPoint.